O corpo Reconstruído

Técnicas e métodos revolucionários, como o enxerto e os retalhos de pele, permitem às plásticas reparadoras garantirem melhoras físicas e emocionais aos pacientes com deformidades

 

O Brasil realiza mais de meio milhão de cirurgias plásticas por ano. A maioria delas é estética, com destaque para as festejadas lipoaspirações.

 

Porém, um número significativo de pessoas, cerca de 40%, submete-se a esse tipo de tratamento com outra finalidade: reparar uma deformidade de nascença ou adquirida no decorrer da vida, que muitas vezes compromete a funcionalidade do organismo — além de provocar profundos danos psicológicos. São homens e mulheres que sofreram queimaduras, acidentes, infecções, tumores e seqüelas de procedimentos cirúrgicos. Cada caso é único. Mas certamente todos se fi- zeram a mesma pergunta antes de chegar à mesa de operação: é possível reconstruir meu corpo e dissimular as deformações?

 

A resposta, claro, é sim. O que não significa que o cirurgião-plástico é uma divindade capaz de realizar milagres. Mutilações, queimaduras de terceiro grau extensas, processos infecciosos mais graves ou suturas malfeitas deixam cicatrizes importantes, em geral difíceis de serem tratadas. Por isso, a primeira medida que se deve tomar, antes de decidir por uma cirurgia plástica, é saber do médico o que realmente ele pode fazer. Não existem poções mágicas, mas sim recursos para trabalhar de forma bastante eficiente a reconstrução de peles, cartilagens, músculos, ossos, mucosas e nervos.

 

O princípio da cirurgia plástica é o transplante de pele, que já era feito na Índia 600 anos antes de Cristo — sem anestesia e fios de sutura, evidentemente. Hoje, o que se faz é a dissimulação das marcas, usando basicamente duas técnicas: o retalho cutâneo, em que mantemos o tecido irrigado de sangue durante a operação; e os enxertos ou transplantes livres, em que retiramos totalmente a pele de uma região e a aplicamos em outra.

 

Avanço microcirúrgico   
O grande avanço da medicina nessa área é a microcirurgia, que permite, por exemplo, suturar nervos, interligando suas terminações neurais, de forma mais precisa.

 

A técnica também possibilita a sutura de vasos sangüíneos do tecido transplantado na região receptora, o que tem permitido até o uso de retalhos complexos, constituídos por vários tipos de tecidos, como o que ocorreu no transplante de face. É necessário destacar que a cirurgia plástica costuma ser a última etapa do processo de reconstrução. No caso de um acidentado de carro com lesão de face e traumatismo craniano, por exemplo, o cirurgião-geral e o neurocirurgião agem primeiro, um avaliando e estancando qualquer hemorragia e o outro evitando qualquer aumento de pressão intracraniana.

 

Outras duas técnicas, bastante utilizadas nas plásticas estéticas, também podem servir às cirurgias reparadoras. Uma é a lipoaspiração, que consiste na remoção de gordura subcutânea através de um instrumento de sucção. Há doenças em que há acúmulo de gordura em determinadas partes do corpo, como a síndrome adiposa genital. Nesses casos, há a necessidade de uma lipoaspiração.

 

A outra é a prótese de silicone, aplicada em diversos tratamentos, como a reconstrução mamária após uma mastectomia (retirada da mama devido ao câncer que atinge a região). Os benefícios de uma cirurgia plástica reparadora, contudo, não podem nunca ofuscar o lado negativo desse tipo de tratamento.

 

Link: http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/48/artigo51731-1.asp/

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